sexta-feira, 29 de maio de 2009

Des.Abafo


... E que eu sempre possa ter paciência com as criaturas que me pedem para parar de usar preto.
Meu Deus, por que ninguém consegue deixar os outros em paz?
Por que eu não tenho o direito de me vestir de preto tranqüilamente?
O corpo é meu.
O calor que eu sinto, as vibrações negativas, o visual mórbido, os quatro cavalheiros do apocalipse vindo arrancar a minha cabeça - e sei lá mais que outros males dizem que usar preto provoca - são TODOS, sem nenhuma exceção, problemas que eu terei que enfrentar na minha vida. Ou assim todos me dizem. Mas se os problemas serão meus, por que diabos todo o resto do universo não pode me deixar em paz para curtir meu pretinho básico nesses poucos anos saudáveis que me restam?
Mas não, o ser humano tem a incrível necessidade de se meter em tudo o que os outros fazem! Como alguém muito mais esperto do que eu já disse: "Tudo que é bom é ilegal, imoral ou engorda"...
Se a menininha usa rosa, é fofa; se o menininho usa azul, é macho... porque eu não posso usar preto?
O ser humano não consegue viver e deixar os outros em paz. Ele precisa tomar conta da vida alheia mesmo que não se importe muito com ela. Ainda acho que é esse instinto imbecil, de se incomodar com tudo que os outros fazem, que provoca a maioria das guerras do mundo. Não me basta ter um Deus. Se eu sei que outras pessoas têm um Deus diferente do meu, eu preciso matá-los ou obrigá-los a aceitar o meu Deus. Mas jamais posso aceitar as diferenças pacificamente. Ê intolerância... eu nunca me acostumarei a essa linha de pensamento. Viva e deixe viver.

"Dê-me um cigarro
Diz a gramática
do professor e do aluno
e do mulato sabido.
Mas o bom negro
e o bom branco
da nação brasileira
dizem todos os dias:
'Deixa disso, camarada.
E me dá um cigarro. '"



... E ME DEIXEM USAR PRETO!

Extra!


Tenho o pequeno hábito de procurar notícias pela internet, para saber se alguma coisa de relevante aconteceu e mudou o mundo.


Volta e meia me deparo com notas interessantes, não do ponto de vista da informação em si, mas sim pelo fato de que são non sense ou risíveis. Outro dia, vi no Yahoo.com uma lista com as dez leis britânicas mais absurdas. Achei que seria engraçado, mas nem tanto. Era só chato mesmo. Uma das tais leis proibia que pessoas morressem dentro de casas do Parlamento (!). Enfim, eram nesse nível. Às vezes, também acontece isso, as redações investem em algo que de tão ridículo pode se tornar motivo de piada e se popularizar, mas acabam criando um artigo simplesmente entediante.


Bem, não acho que seja o caso da notícia que encontrei hoje no Portal Terra. Dêem uma olhada:

"Ladrão é absolvido por ser 'muito bom' para crime

Um veterano ladrão australiano foi absolvido após uma corte concordar que ele era muito experiente para ter cometido o crime de que era acusado. Ernst Stummer, 69 anos, foi acusado de invadir uma loja em Viena e roubar produtos no valor de mais de R$ 2 mil depois que a polícia encontrou seu DNA em alicate deixado no local.

Os advogados de Stummer, que já foi condenado em 18 acusações de roubo, convenceram a corte de que os erros do ladrão eram muito 'básicos' para terem sido cometidos pelo seu cliente. 'Ele é experiente o suficiente para não arrombar um prédio que tem alarme de segurança', disse o advogado Roland Friis.

'Além disso, nenhum ladrão razoável usaria esses alicates para um trabalho e meu cliente com certeza teria usado luvas. Na verdade é quase um insulto que o acusem de tal estratégia diletante', afirmou na corte.

'Provavelmente os alicates são meus, mas eu tenho um monte de alicates e ferramentas que eu empresto as vezes para pessoas não muito confiáveis. Eu acho que alguém cometeu o crime usando meus alicates, mas não fui eu', disse o réu.”


Ou seja, o cara era profissional demais para se envolver em um crime tão sem graça! Então tá, né? Já assistiram ao filme "Armadilha" (Entrapment), com Sean Connery e Catherine Zeta-Jones? Então, o cara é quase um Mac da vida.

**Ok, considerações a fazer:

1) Por favor, alguém pode me arrumar o telefone desses advogados? Sim, pois se algum dia eu for acusada de um crime, ficaria muito feliz se eles me defendessem...

2) Imagina se a moda pega no Brasil?? O pessoal do Senado ia adorar! "Não, meritíssimo, mas eu sou muito experiente para cometer um roubo tão pequeno e básico... Lavagem de dinheiro? Ah, isso é coisa para amador..."

Well, anyway...

Revistas Femininas


Estava em casa, mais uma noite de insônia e sem planejamento algum posterior.


Na quarta hora sem sono, sentei na sala e olhei para o lado: uma pilha de revistas femininas.


Tinha revistas antigas e outras mais NOVAS; comecei a folheá-las. Já na capa, algumas das matérias: "Veja as maquiagens que são necessárias para a sua idade: 20, 30 e 40 anos". "Testes:

Ele gosta de você ou só te engana?"

Tem uma explicação lógica para isso: depois de se produzir, você tem que ver se a make da revista funciona, né gatona!? Então, é aí que entra o teste...

Dependendo do seu resultado, poderá ir para três reportagens:

*Resultado positivo - "Ele realmente ama você". Parabéns! Existe uma reportagem na página 69(!): "Como apimentar o sexo: entrevista exclusiva com a pompoarista chinesa erradicada na França e descendente de árabes, Rala Iram Lá!";

*Resultado negativo - Sorry, baby! Ele não te ama, mas não fique triste; existe uma reportagem especial para você na página 80, com uma série de exercícios físicos e dietas recheadas de modelos magérrimas, vítimas da anorexia, bulimia e falta de vergonha na cara. E não se preocupe, por que a revista foi feita para você!

*Resultado chove e não molha - Dê um up no visual! Nas páginas seguintes, terão dicas de moda com roupas que você, pobre trabalhadora, irá se endividar para comprar. Dica: caso não tenha dinheiro ou cartão de crédito, console-se com a página das previsões astrológicas e sonhe com o futuro, honey!

Cansada de ver as capas das revistas com as mesmas FÓRmulas de sucesso - reportagens banais cercando os rostos de mulheres "famosas", com todos os recursos humanos e tecnológicos possíveis, que evoluem cada vez mais (vide as capas pré-photoshop) - levantei algumas hipóteses:

Hipótese 1: As revistas femininas são produzidas por homens.

Sim, óbvio... afinal, não existe motivo para que mulheres doutrinem outras para viver em função de homens, através de dietas malucas e exercícios, apenas para entrar em um vestido P para o marido, namorado, ficante. As revistas femininas são extremamente machistas!

Hipótese 2: As piadas sobre as mulheres estavam certas!

Sou um exemplar da espécie feminina, observando a quantidade de mulheres que compram revistas desse tipo e aderem à uma visão "Amélia que era mulher de verdade" (só que com muita vaidade). Nós não podemos escrever e ler isso... Será que queremos acabar com a nossa autonomia que é conquistada aos poucos a cada dia?

Hipótese 3: Revistas femininas são escritas por extraterrestres que querem criar uma legião de escravas sexuais que vivam neuroticamente preocupadas com a sua própria aparência competindo para ver quem é melhor.


*Na dúvida, marque a letra "c"

Bandas fofas





Em um mundo repleto de ódio, intolerância racial, intolerância religiosa, maldade, crueldade, sacanagem, Rita Lees e Ozzy Osbournes - enfim, coisas que nos deixam mal - certos momentos pedem, praticamente imploram por uma música descompromissada, leve, linda, solta, bacana; uma música que nos deixe alegrinhos, ternos, fofos, uma música cantada por uma banda totalmente fofa (sem preconceitos, por favor).

Mas, afinal, o que são as tão faladas bandas fofas (como as maravilhosas The Cardigans; The Thrills; Saint Etienne; Stereolab; Belle and Sebastian; Cinammon, Air; Beth Gibbons; etc).

Bandas fofas, queridos (viram como já estou contagiada?), são bandas legais, bandas pop, bandas autênticas, bandas desencanadas que não levam o mundo capitalista politicamente correto a sério e estão pouco se lixando se tem gente morrendo de fome na África.

Bandas fofas se preocupam apenas com o coração, com o sentimento, com o ritmo, e jamais têm vergonha disso. JAMAIS. Bandas fofas são bandas tranqüilas. São bandas que realmente precisamos ouvir quando a coisa fica feia e a vida exige ser encarada como verdadeiramente ela é: rude, cruel e mesquinha (como esse navio negreiro que eu freqüento de segunda a sexta).

Bandas fofas são aquelas que produzem um sorrisinho besta de alívio. Um sorrisinho besta de felicidade.

Bandas fofas são o punk da atualidade. A única coisa verdadeiramente transgressora nesse mar de lama e chatice que se tornou o mundo musical do século vinte e um.

Bandas fofas transgridem muito mais do que qualquer banda de metal. Pode apostar.

EU ADORO BANDAS FOFAS... vocês deveriam ouvi-las também...



Ouvindo Perry Mason, a primeira canção fofa do planeta, de Ozzy Ousborne.



O "Metralhadora" (sic)


"O Funk carioca é a coisa mais punk que apareceu na última década" - Marcelo Yucca, na capa da Outra Coisa (02/04).

''O proibidão é feito para ser cantado no baile, não pode ser gravado nem comercializado. Não é uma apologia ao crime, mas um relato da minha comunidade. O funk nasceu na favela e infelizmente o tráfico também faz parte dela. A sociedade não está preparada para entender o proibidão, porque quem não sofre não dá valor ao sofrimento.[...] Traficante não é bicho não [....] E tem consciência, pelo menos onde freqüento, que o tráfico faz mal à comunidade. Quem não quer ter paz, justiça e liberdade? Essa é uma ideologia de uma facção criminosa." Mr. Catra, o auto-intitulado rei do funk proibidão, ao JB.

Tem gente que acha alguns notórios falastrões "contundentes" ou "provocadores". Particularmente acho que 95% do que eles falam não passam de bravatas e frases de efeito - e das mais baratas.

Parece que agora eles até tem veículos de mídia próprios, embora não faltassem meios para reverberar essas apelações nos espaços já existentes, tamanho é o fascínio que esses tipos exercem no imaginário jornalístico-popular. Tem gente que acha termos como "anarco-colunistas", "guerrilha cultural", "metralhadora verbal", "imperialismo midiático" quase que sexualmente estimulantes.

O que eu gostaria MESMO é que as pessoas fossem mais fascinadas por argumentos concretos do que por coisas desse tipo, mas já faz tempo que perdi as esperanças.

O mundo é dos ecléticos!


Sim, o mundo é de quem gosta de chocolate e, ainda assim, não dispensa uma salada de rabanete. Herdarão o reino dos céus os que lêem Rhonda Byrne e seu segredo com o mesmo entusiasmo de quem saboreia Proust. Só sobreviverão os que colocam Noel Rosa e The Strokes na mesma playlist do Media Player.

Para o eclético, qualquer hora é hora e qualquer lugar é lugar. É o bissexual da cultura, o indeciso dos sabores. O eclético se recusa ficar compartimentado, segregado do resto do mundo. O eclético quer é farra.

O eclético adiciona todo mundo com quem simpatiza no Orkut, não só quem ele conhece pessoalmente. O eclético come picanha sangrando, mas não recusa um strogonoff de soja no capricho. O eclético toma vinho, cerveja, suco e Pepsi Twist, tudo sem exagero e na hora e clima corretos.

Um eclético fica menos tempo desempregado, pois aceita novas experiências com mais facilidade. O eclético sabe que nem todo mundo que é filiado ao PV, quer o bem da natureza e nem todo mundo que milita no DEM é um enviado de belzebu para destruir a vida na Terra.

Ecléticos surpreendem. Chegam de cabelo espetado pintado de pink e, numa boa, cantam uma Bossa Nova daquelas bem calminhas, só para contrariar. Ecléticos confundem suas namoradas ao sugerirem programas díspares como idas a museus, um show do Fundo de Quintal ou uma corrida naquela pista de kart perto do shopping. Só os ecléticos têm paciência para assistir o horário político enquanto esperam a novela das oito começar, finalmente, às nove e meia.

Na fila da locadora, há uma menina com vários dvd’s nas mãos: um clássico em preto e branco, um pacote com uma temporada inteira dos Simpsons e o último lançamento de Woody Allen. Com certeza, se trata de mais uma feliz e eclética cinéfila que vai passar no Mundial antes de ir para casa, para comprar pipoca e calda de chocolate para colocar por cima.

Ecléticos sofrem menos. Ecléticos vivem mais e ficam menos doentes. Ecléticos são mais interessantes e mais bonitos, pois estão sempre mudando o cabelo e experimentando novos estilos. Ecléticos são mais legais e sempre têm assuntos novos para aquele bate papo na fila do metrô. Ecletize-se você também.

Está lançada a nova panacéia da Era de Aquário.


( E VIVA A TEORIA DA CASQUINHA!)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A Poeira do Heavy Metal



O Dust era uma grande banda americana da década de 70. E ficou mais conhecida aqui no Brasil como a ex-banda do baterista Marky Ramone. O grupo teve curta discografia, porém marcante; o primeiro disco ainda é bastante procurado.
Em meados dos anos 60 e na década seguinte, com a Invasão Britânica, o cenário do mundo do rock, principalmente no que tange o heavy metal, era dominada pelas bandas inglesas. O Dust era um oásis no deserto.
A banda se formou em meados de 1968, com o guitarrista e vocalista Richie Wise, o baixista Kenny Aaronson e o baterista Marc Bell. Ainda contavam com Kenny Kerner como letrista, empresário e produtor. Eles lançaram o primeiro disco, intitulado Dust, em 1971, pelo selo Kama Sutra. No ano seguinte, lançam Hard Attack. Infelizmente (ou não), eles gravaram apenas esses dois álbuns. Aaronson entrou para os Stories em 1973, e Wise e Kerner tornaram-se produtores (trabalharam também com os Stories). Marc Bell foi parar na cena punk de Nova Iorque, tocando no Richard Hell & The Voidoids, e mais tarde foi tocar no the Ramones, sob o nome de Marky Ramone.
Mas aí, já é outra história.

Jack Sparrow!


Vi Piratas do Caribe ontem pela primeira vez. Tenho que admitir que tenho um grande preconceito contra os filmes da Disney. Eu não gosto da Disney. Não gosto dos desenhos animados. Não gosto das animações computadorizadas. Não gosto, principalmente, da ideologia por trás dos desenhos da Disney. Imperialista, machista, maniqueísta e preconceituosa. A maior parte das histórias são tão previsíveis que chegam a ser um insulto à inteligência do espectador. Claro que nada disso é realmente prejudicial para um adulto. Afinal, o adulto tem instrumentos e condições para , por assim dizer, "se defender" disso tudo. Mas essa postura não acontece com uma criança. Esses filmes são particularmente prejudiciais durante a fase de crescimento. Ou se é herói ou se é vilão. Para prestarem atenção em você, você precisa ser bonita. Pessoas boas ficam ricas e se casam com príncipes. Pessoas feiosas e legais só servem para fazer palhaçadas. E por aí vai... Uma criança acaba assimilando todos esses padrões de comportamento e cresce com eles arraigados. É muito cruel, eu penso, estreitar a mente de uma pessoa dessa forma. A criança vai sempre se perguntar porque ela não pertence. E ninguém lhe explica que é porque a vida não pertence à Walt Disney. Graças a Deus por isso, eu sempre gostei de ter opções.


Bem, Piratas, claro, é um filme da Disney e tem todos os defeitos que um filme da Disney tem. O filme - falo do primeiro, ainda não vi o segundo nem o terceiro - é maniqueísta, cheio de aventuras sobre piratas, super efeitos especiais, enfim, toda a magia perversa do cinema. A história é divertida e prende a sua atenção, como todas as histórias da Disney. O final, obviamente é feliz. Mas tem um personagem que conseguiu tirar um pouco o filme do seu lugar comum: Jack Sparrow.


Sua maquiagem, seus trejeitos, sua ambigidade quanto aos princípios morais (ainda bem, chega de ter gente boazinha ou mázinha!) salvam o filme. Isso tudo teria uma escala muito pequena e apagada se o personagem fosse interpretado por algum ator meia bomba. Mas quem está no comando é o capitão Johnny Deep, que em momento nenhum deixa o navio afundar.


Ótima atuação. O elenco todo é bonzinho, mas é Johnny que torna o filme mais divertido, e principalmente, interessante. Mais do que um ator interessante, Johnny sabe tornar um filme interessante. E como a máxima diz: filme com Johnny Deep, é bom!


Virei fã do Jack Sparrow!

Texto publicado em 16/05/07 na Revista Vetores.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Assim é, se lhe parece!


Já ouvi de bastante gente que escritor não é profissão.
Eles têm razão. Essa profissão não é reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Ninguém traz a palavra “escritor” ilustrando sua carteira profissional. Ninguém faz faculdade pra isso (embora até existam um ou dois cursos).

Um romancista nada mais é do que um vendedor. Faz seu artesanato literário em casa e edita por conta própria ou assina um contrato com uma editora. Um blogueiro, como nós, segue a mesma vibe, com a agravante de não cobrar nada pela leitura que proporciona.

Um dramaturgo ganha dinheiro com suas peças encenadas. As que ninguém quis montar ficam juntando poeira no armário. Um autor de novelas geralmente tem contrato longo. Mas o que pouca gente sabe é que quase todos têm empresa aberta e assinam contrato como prestador de serviços.

Mas, ao contrário do que muita gente pensa, o escritor é um dos trabalhadores mais incansáveis que existem. Pedreiros perdem fácil. Estivadores? Faz favor...

Escritores trabalham 24 horas por dia sem descanso. Tudo é observação, tudo é útil. O feirante, o programa que se vê na TV, a criança chorando no apartamento ao lado, tudo é matéria prima e pode gerar uma crônica, um romance, uma telenovela, um filme.

E esse nobre ofício não existe oficialmente, pode?

Escritores não são profissionais. São desocupados que passam o dia batucando os teclados de seus computadores por não terem uma roça de feijão ou milho para preparar. Gente folgada que não gosta do batente.

Concorda?

Pirandello bem disse: Assim é se lhe parece.

Mulher não sabe o que quer!


Adorou a roupa quando viu, enfiou a corda no pescoço, levou, mas não usa. E não adianta, os sapatos não estavam tão apertados quando os experimentou e comprou. Mas, sempre tem uma irmã, uma prima ou uma amiga para dar o que não se quer.

Acredita - sempre - quando ele diz que o melhor perfume é o da sua pele, o seu cheiro natural, mas sempre erra a quantidade quando vai perfumar-se para um encontro, porque mulher nenhuma é louca de sair de casa sem cheiro de flor, mato, fruta ou absinto.

Acorda de manhã e descobre que não está mais apaixonada. Saudade não dói mais, não sente tanta falta. Está até enjoada. Mas, se imagina a figura quase despejada de seu coração com outro naipe, aos beijos, corre para o telefone, orkut, faz chamego e combina jantarzinho. Afinal, mulher sempre acha que tudo se salva, que o que não vale é perder para outra.

E, falando em perder, mulher odeia perder. Detesta fim de jogo e nunca está satisfeita; nem quando ganha. Compete a vida inteira, mesmo sem querer, avalia as outras mulheres e se compara em tudo. Algumas viram exatamente o que o alvo quer, mesmo sendo outra, totalmente diferente. Mulher é mutável. Se precisa, é ninfeta, faz-se de infantil, fica engraçadinha. Ou troca o vestuário e os livros e transforma-se em tigresa, poderosa e cheia de pretensões. Mulher pode tudo, independe do que ela queira. O problema é que ela nunca sabe ao certo, mulher não sabe o que quer.

E as que odeiam machismo, arrogância masculina e são sofridas? Criam seus filhos sem que lavem um prato, ou as próprias meias, pois acham que isso é coisa de mulher.

Ainda bem que toda mulher é diferente, não existe dois exemplares iguais e, mesmo que esse texto vire tese ou livro, ainda assim não seria possível falar de nem um por cento da melhor criação de Deus.

Top 3


Sempre tento manter uma lista mental dos 5 livros que eu teria na minha cela, numa cadeia ou manicômio. Essa lista tem vários motivos. Um deles é que nem na cela, nem no manicômio, tem muito que fazer para passar o tempo e, definitivamente, escrever no fotolog ou acompanhar as minhas séries de TV por assinatura não seriam uma opção válida. A outra é que as pessoas normalmente falam em coisas - livros, filmes, pessoas, que alguém levaria para uma ilha deserta. Mas vamos e venhamos: na atual sociedade, e na situação caótica em que andam as coisas, a probabilidade de alguém ir parar na cadeia ou no manicômio é pelo menos umas mil vezes maior do que a de ir parar numa ilha deserta. Depois, numa ilha deserta, eu teria tanto trabalho - quem já leu a história de Robinson Crusoé, já viu o filme Náufrago ou acompanha Lost sabe a quantidade de coisas que se tem para fazer numa ilha - que não ia ter mesmo tempo para ler. Bem, agora que está explicado o motivo das minhas listas, posso ir ao assunto principal.

Geralmente, tento ter em mente os 5 livros que seriam meus companheiros durante algum eventual afastamento forçado da sociedade moderna e de seus luxos. Confesso que até hoje eu só tinha dois: Crepúsculo dos Ídolos e o Retrato de Dorian Gray. Gosto muito de ler e a maioria dos livros me agradam, mas veja bem, para ser meu livro companheiro de todas as horas, não basta ser um bom livro, tem que ser um grande livro. É mais ou menos a diferença entre escolher com quem você vai sair no sábado à noite e escolher com quem você vai se casar (eu já escolhi!), entende? O livro do manicômio é como o seu cônjuge. Não basta ser bom, tem que ser perfeito e você sabe que conviverá com ele por muito tempo antes de enjoar. E, até agora, os dois grandes livros da minha vida eram os dois títulos citados acima.

E eis que me deparo com uma edição de bolso de um livro bem fininho, com título de conto de revista feminina: "O Diário Roubado", de Regine Deforges. Resolvi ler o livro no ônibus, para ter o que fazer indo para algum lugar. E, tão arrebatadora e inesperadamente quanto qualquer outra paixão, o livro me pegou de jeito.

A história é a de uma adolescente de 15 anos, que mora numa cidadezinha no interior da França durante a décade de 50. Ela namora uma outra menina, mas se diverte ocasionalmente com um rapaz. E, claro, chuta o rapaz para ficar com a garota de quem ela realmente gosta. Como vingança, seu diário é roubado e toda a sua vida sexual fica exposta para a cidadela, que pede sem piedade a cabeça da menina. A confusão está armada. O ladrão do diário promete devolver o diário à menina se ela jurar nunca mais ver sua namorada e virar uma pessoa "decente". E o principal da trama é o inferno pelo qual essa menina passa. Por que, nem por um momento, ela pensa em aceitar a chantagem. "O diário roubado" é um livro sobre a resistência, a dificuldade em enfrentar o mundo - literalmente - em troca do direito se ser, de existir, de se desenvolver plenamente. Enfim, de ser fiel a si mesmo. E é isso que o torna mágico. Léone, a personagem principal, não é boazinha (até porque uma menina boazinha normalmente desiste fácil. Para resistir, você tem que ser um pouquinho perverso na maior parte das vezes. Resistir normalmente envolve também se magoar e magoar muitas pessoas que lhe são amigas queridas, não é mesmo?). Léone não se importa em quantos sairão feridos da sua guerra. Ela se mantém firme, mesmo estando cada vez mais acuada. E resiste, resiste... Enfim, um livro fantástico sobre a condição humana, a coragem diante do preconceito e a maldade das pessoas. Acho que todo mundo deveria dar pelo menos uma olhadinha nessa obra.


E, como estamos falando de meninas que gostam de meninas, nenhuma foto seria mais apropriada do que as que eu coloquei aí em cima. Romantismo puro... é de Tamara de Lempicka. Amo suas telas, são todas muito românticas, o nu é realmente artístico. Fico me perguntando quando as revistas masculinas deixaram de ser tão bonitinhas para se tornarem pornográficas. Não que uma coisa seja melhor ou pior do que a outra, mas é definitivamente uma mudança radical demais para tão pouco tempo, não?

sábado, 25 de abril de 2009

Comodismo Musical


Eu ia começar essa crônica com alguma coisa do tipo: “pessoas deveriam ter um pouco de senso crítico e mente aberta para a música...”; e daí?

Se um dentista é um mal profissional, ele perde os clientes e até mesmo o registro. Se for um cabeleireiro, idem. Se for um professor que não tem didática, os alunos não perdoam. Mas, se for “músico” e a última coisa que pode acontecer é chamar o que ele faz de música, pronto, vende milhões.

A música está sendo tratada como uma espécie de sub-classe, com os padrões totalmente inversos das outras classes profissionais.

Existe um tipo de alergia a melodias com mais de cinco acordes, ou que tenham poucos acordes mas bem produzidas, com bons arranjos e, conseqüentemente, boa musicalidade (Beatles??). Em contrapartida, há o vício por músicas com nenhum acorde, quase sem melodia, aquelas que qualquer um com computador e um programa de mixagem faz. Sem contar que música desse tipo, aliada a um programa dominical e um jabá vende como limonada geladinha no deserto.

É tudo muito linear: introdução de violão; primeira parte xarope; refrão quase gritado; volta para a parte xarope, só que com mais percussão e cordas do que na primeira vez; refrão gritado; refrão gritado com mais cordas ao fundo; fade out.

As músicas antigas, mesmo os estilos mais simples, tinham sempre um “plus”, um “brinde”; ou, em linguagem musical: uma cadência, uma subida de tom, uma inversão de baixo, uma modulação para um modo relativo, um instrumento que para e depois volta; uma parte na qual a guitarra acompanha, mas na outra, ela “canta” e o cantor responde; um riff que só existe naquele momento, não está nem no início e nem no refrão.

Temos músicos que se dedicam, que lutam bastante para fazer algo bem feito, porque sabem que a música não foi feita só para divertir, mas também para analisar, informar, conscientizar. Todavia, os patrocinadores, imprensa, público, não dão a mínima, ao passo que uma prosaica rima que tocou no Domingo está na boca do povo e prolongar-se-á pelos próximos quatro meses. Digo isso por todas as vezes que me disseram: -“Como você consegue ouvir isso? Essa música é velha!”; como se música dependesse de tempo.

E, sinceramente, não sei como uma pessoa consegue ouvir funk. O que tentam chamar de música tem a mesma batida, não importa a música, e a letra só fala de "melancia". Com qual parte do corpo ouvem isso? Os pagodes atuais não se salvam: um bando de homens em cima de um palco, dando dois passinhos para lá, dois para cá e cantando a sua dor-de-cotovelo. Forró? Está mais comercial do que a Coca-Cola®. E como os vocais gritam! Acho que só sabem gritar e rebolar...

Tudo que é demais enjoa; grito, solos, distorção, dor de cotovelo, músicas longas e repetitivas. O YES, por exemplo, que é uma assumidade em progressivo, não me agrada, justamente por essas razões.

Entendam, de maneira alguma quero persuadi-los a ouvir rock, meu gênero predileto, até porque também existe muita coisa ruim no meio. O que quero dizer é que tem muita coisa boa fora dessa ditadura musical. Jazz, Blues, Fusion, Clássico, Bossa Nova, World Music, Soul são alguns exemplos. O que acontece é que as pessoas ignoram completamente a existência desses gêneros e falam que é ruim. Não conhece a fundo, não critique; não gosta, reconheça o valor e respeite.

Talvez, não seja algo cultural, afinal, pessoas sem o que chamamos de cultura sempre existiram. Mas antes elas ouviam e diziam: - “Esse negócio esquisito aí de fundo até que é legal!”.

Ou talvez, essa seja a cultura do Brasil, e nós que não somos fanqueiros, pagodeiros e micareteiros (entre outros) ficamos na contramão da história.

"?,...;!"


Pensar.


Verbo intransitivo? Transitivo direto? Transitivo indireito? Verbo?

Ser ou não ser, eis a questão.

A questão não seria pensar ou não pensar, em que pensar, como pensar?

Simples como amar. Como se o amor fosse simples. Amar é...? Quem inventou o amor, me explica por favor! Acho que o amor é, simplesmente é.

Assim como pensar é simplesmente pensar.

Sobre a morte e vida, severina ou não, ilusão e desilusão (qual será a pior?), feijão por cima ou por baixo, certo e errado. Entretanto, se estiveres pensando em minha garota, não importa se és preto ou branco. Afinal, trato os iguais como iguais e os diferentes como diferentes. E não sou machista, racista, xenofóbico, homofóbico, ístas e óbicos que existem por aí. Tanto faz se é maconheira e macumbeira. As coisas não tem eira nem beira mesmo; sempre foram feitas nas coxas, ainda mais aqui no Brasil, onde tudo foi tramado para virar esculhambação.

Ao refletir acerca deste tema, verificarás que tudo é relativo, confirmando o que aquele louco descabelado disse. É por isso que existe a Filosofia. E o Google.

Não obstante, temos os nossos dogmas, tão enlouquecedores quanto a Santíssima Trindade.
Por que pensamos?

Todo humano possui raciocínio e por isso pensa ou pensa e por isso raciocina?

Raciocinar é o mesmo que pensar?

Todo humano pensa ou tudo que pensa é humano?

Minha vizinha naturalizou-se ianque e ouve Funk. Ela não pensa ou não é humana? O que ela odeia: barbudos vermelhos ou queimar roupas de baixo? (A culpa é do Fidel. Chamem o Capitão Rodrigues, o Capitão Nascimento e o Jack Bauer).

O Belzebu veste azul, branco ou Prada? Ou será que veste Prada azul e branco?

Como nada se cria, tudo se copia, usarei os versos do Camaleão, que já foram copiados por um sujismundo suicida: " Who knows? Not me. I never lost control."

Também nunca fiquei preocupado. Agora, isso é uma mentira.

Mas, como não ficar preocupado quando uma menina que está em dúvida sobre a sua sexualidade faz alusão ao meu nome em um de seus romances: uma personagem conflituosa que morre pois estava perturbando a sanidade de sua criadora.

Será que isso acontecerá comigo? Foi porque falei do meu Super-Homem? Foi porque criei a minha própia religião? Será que é porque sou um best-seller? Ou um clássico, como queira.

Como saberei?

É...

Here you are.

Saber.

É o que te adjetiva, o que te conforta, o que te faz auto-suficiente. Afinal, quanto mais conhecimento tivermos, menos precisaremos das pessoas. Só espero não me tornar o Titanic do conhecimento. E olha que o meu compatriota Era, para os íntimos, afirmou que o homem não é uma ilha.

Seria melhor se o fosse; não correria o risco de morrer por causa de sua imagem (ou irmã, sabe-se lá), tampouco de tornar-se escravo de um uniforme ou de um quadro. E quando a morte viesse com todas as suas cores buscar a alma alheia, não sofreriam tanto e nem se apegariam tanto á vida; esperariam a morte levá-las ,sentados; dignamente.
Nevermind.

Ainda sou o mesmo e vivo como meus pais: dois cabeças de dinossauro.

Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza, que todo dia faz tudo igual, para a excelência do cotidiano de um casal feliz.

Mas, um homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio.

E agora, José?


(Direito ao palavrão mor: cobras e lagartos.)


Eu só sei que nada sei.






Por: A. Zaratrusta