sábado, 25 de abril de 2009

Comodismo Musical


Eu ia começar essa crônica com alguma coisa do tipo: “pessoas deveriam ter um pouco de senso crítico e mente aberta para a música...”; e daí?

Se um dentista é um mal profissional, ele perde os clientes e até mesmo o registro. Se for um cabeleireiro, idem. Se for um professor que não tem didática, os alunos não perdoam. Mas, se for “músico” e a última coisa que pode acontecer é chamar o que ele faz de música, pronto, vende milhões.

A música está sendo tratada como uma espécie de sub-classe, com os padrões totalmente inversos das outras classes profissionais.

Existe um tipo de alergia a melodias com mais de cinco acordes, ou que tenham poucos acordes mas bem produzidas, com bons arranjos e, conseqüentemente, boa musicalidade (Beatles??). Em contrapartida, há o vício por músicas com nenhum acorde, quase sem melodia, aquelas que qualquer um com computador e um programa de mixagem faz. Sem contar que música desse tipo, aliada a um programa dominical e um jabá vende como limonada geladinha no deserto.

É tudo muito linear: introdução de violão; primeira parte xarope; refrão quase gritado; volta para a parte xarope, só que com mais percussão e cordas do que na primeira vez; refrão gritado; refrão gritado com mais cordas ao fundo; fade out.

As músicas antigas, mesmo os estilos mais simples, tinham sempre um “plus”, um “brinde”; ou, em linguagem musical: uma cadência, uma subida de tom, uma inversão de baixo, uma modulação para um modo relativo, um instrumento que para e depois volta; uma parte na qual a guitarra acompanha, mas na outra, ela “canta” e o cantor responde; um riff que só existe naquele momento, não está nem no início e nem no refrão.

Temos músicos que se dedicam, que lutam bastante para fazer algo bem feito, porque sabem que a música não foi feita só para divertir, mas também para analisar, informar, conscientizar. Todavia, os patrocinadores, imprensa, público, não dão a mínima, ao passo que uma prosaica rima que tocou no Domingo está na boca do povo e prolongar-se-á pelos próximos quatro meses. Digo isso por todas as vezes que me disseram: -“Como você consegue ouvir isso? Essa música é velha!”; como se música dependesse de tempo.

E, sinceramente, não sei como uma pessoa consegue ouvir funk. O que tentam chamar de música tem a mesma batida, não importa a música, e a letra só fala de "melancia". Com qual parte do corpo ouvem isso? Os pagodes atuais não se salvam: um bando de homens em cima de um palco, dando dois passinhos para lá, dois para cá e cantando a sua dor-de-cotovelo. Forró? Está mais comercial do que a Coca-Cola®. E como os vocais gritam! Acho que só sabem gritar e rebolar...

Tudo que é demais enjoa; grito, solos, distorção, dor de cotovelo, músicas longas e repetitivas. O YES, por exemplo, que é uma assumidade em progressivo, não me agrada, justamente por essas razões.

Entendam, de maneira alguma quero persuadi-los a ouvir rock, meu gênero predileto, até porque também existe muita coisa ruim no meio. O que quero dizer é que tem muita coisa boa fora dessa ditadura musical. Jazz, Blues, Fusion, Clássico, Bossa Nova, World Music, Soul são alguns exemplos. O que acontece é que as pessoas ignoram completamente a existência desses gêneros e falam que é ruim. Não conhece a fundo, não critique; não gosta, reconheça o valor e respeite.

Talvez, não seja algo cultural, afinal, pessoas sem o que chamamos de cultura sempre existiram. Mas antes elas ouviam e diziam: - “Esse negócio esquisito aí de fundo até que é legal!”.

Ou talvez, essa seja a cultura do Brasil, e nós que não somos fanqueiros, pagodeiros e micareteiros (entre outros) ficamos na contramão da história.

"?,...;!"


Pensar.


Verbo intransitivo? Transitivo direto? Transitivo indireito? Verbo?

Ser ou não ser, eis a questão.

A questão não seria pensar ou não pensar, em que pensar, como pensar?

Simples como amar. Como se o amor fosse simples. Amar é...? Quem inventou o amor, me explica por favor! Acho que o amor é, simplesmente é.

Assim como pensar é simplesmente pensar.

Sobre a morte e vida, severina ou não, ilusão e desilusão (qual será a pior?), feijão por cima ou por baixo, certo e errado. Entretanto, se estiveres pensando em minha garota, não importa se és preto ou branco. Afinal, trato os iguais como iguais e os diferentes como diferentes. E não sou machista, racista, xenofóbico, homofóbico, ístas e óbicos que existem por aí. Tanto faz se é maconheira e macumbeira. As coisas não tem eira nem beira mesmo; sempre foram feitas nas coxas, ainda mais aqui no Brasil, onde tudo foi tramado para virar esculhambação.

Ao refletir acerca deste tema, verificarás que tudo é relativo, confirmando o que aquele louco descabelado disse. É por isso que existe a Filosofia. E o Google.

Não obstante, temos os nossos dogmas, tão enlouquecedores quanto a Santíssima Trindade.
Por que pensamos?

Todo humano possui raciocínio e por isso pensa ou pensa e por isso raciocina?

Raciocinar é o mesmo que pensar?

Todo humano pensa ou tudo que pensa é humano?

Minha vizinha naturalizou-se ianque e ouve Funk. Ela não pensa ou não é humana? O que ela odeia: barbudos vermelhos ou queimar roupas de baixo? (A culpa é do Fidel. Chamem o Capitão Rodrigues, o Capitão Nascimento e o Jack Bauer).

O Belzebu veste azul, branco ou Prada? Ou será que veste Prada azul e branco?

Como nada se cria, tudo se copia, usarei os versos do Camaleão, que já foram copiados por um sujismundo suicida: " Who knows? Not me. I never lost control."

Também nunca fiquei preocupado. Agora, isso é uma mentira.

Mas, como não ficar preocupado quando uma menina que está em dúvida sobre a sua sexualidade faz alusão ao meu nome em um de seus romances: uma personagem conflituosa que morre pois estava perturbando a sanidade de sua criadora.

Será que isso acontecerá comigo? Foi porque falei do meu Super-Homem? Foi porque criei a minha própia religião? Será que é porque sou um best-seller? Ou um clássico, como queira.

Como saberei?

É...

Here you are.

Saber.

É o que te adjetiva, o que te conforta, o que te faz auto-suficiente. Afinal, quanto mais conhecimento tivermos, menos precisaremos das pessoas. Só espero não me tornar o Titanic do conhecimento. E olha que o meu compatriota Era, para os íntimos, afirmou que o homem não é uma ilha.

Seria melhor se o fosse; não correria o risco de morrer por causa de sua imagem (ou irmã, sabe-se lá), tampouco de tornar-se escravo de um uniforme ou de um quadro. E quando a morte viesse com todas as suas cores buscar a alma alheia, não sofreriam tanto e nem se apegariam tanto á vida; esperariam a morte levá-las ,sentados; dignamente.
Nevermind.

Ainda sou o mesmo e vivo como meus pais: dois cabeças de dinossauro.

Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza, que todo dia faz tudo igual, para a excelência do cotidiano de um casal feliz.

Mas, um homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio.

E agora, José?


(Direito ao palavrão mor: cobras e lagartos.)


Eu só sei que nada sei.






Por: A. Zaratrusta